quarta-feira, 23 de julho de 2025

Tragédia no Campo: Rações Contaminadas Matam Mais de 245 Cavalos no Brasil, por Dr. Roque Antônio de Almeida Júnior

              

Nos últimos dias, uma grave tragédia abalou o setor
agropecuário brasileiro: mais de 245 cavalos morreram após o consumo de rações equinas contaminadas, produzidas pela empresa Nutratta Nutrição Animal. Os casos foram identificados em diversos estados, incluindo Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Alagoas, com relatos de sintomas graves e mortes rápidas após o fornecimento da alimentação.











🚨  Ração Contaminada Mata 245 Cavalos – Entenda o Caso e as Responsabilidades Regulatórias

📅 Atualizado em: Julho de 2025
✍️ Dr. Roque Antônio de Almeida Júnior – Médico‑Veterinário, CRMV‑SP 23098


🧾 1. O que provocou a tragédia?

Em julho de 2025, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) divulgou que pelo menos 245 equinos morreram após consumo de rações produzidas pela empresa Nutratta Nutrição Animal, em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Alagoas (Instagram, Agência Brasil). O laudo técnico confirmou a presença de alcaloides pirrolizidínicos, principalmente a monocrotalina, tóxica ao fígado e sistema nervoso dos animais (Agência Brasil). A contaminação teria origem em resíduos de plantas do gênero Crotalaria incorporadas às matérias-primas (Agência Brasil).


🛑 2. Medidas do MAPA e impacto imediato

Imediatamente, o MAPA:

Apesar de a empresa ter obtido autorização judicial para retomar produção não destinada a equídeos, o MAPA recorreu com base em evidências técnicas de risco sanitário (Serviços e Informações do Brasil).


⚖️ 3. Legislação e normas aplicáveis

🔍 3.1 Leis e decretos

🏭 3.2 Portarias e instruções normativas

Esses normativos exigem que fabricantes:

  1. Implementem programas de autocontrole

  2. Realizem análises periódicas de qualidade

  3. Garantam rastreabilidade total das matérias-primas

  4. Mantenham registros para auditoria e fiscalização


4. Controle de qualidade na fabricação

As boas práticas (BPF e POP) exigem:

  • Seleção e identificação de fornecedores confiáveis

  • Inspeção de lotes de matérias-primas antes da produção

  • Testes laboratoriais pré‑uso (presença de micotoxinas, alcaloides, metais)

  • Análises pós‑produção para garantir conformidade

  • Rastreabilidade total (sistema SipeAgro/SUASA)

  • Registros documentais para auditoria

  • Treinamento e manutenção de padrões em unidades industriais

No caso, a falha no controle permitiu que resíduos de Crotalaria contaminassem a ração – um descumprimento flagrante das normas (Serviços e Informações do Brasil, Serviços e Informações do Brasil).


👨‍⚖️ 5. Responsabilidades jurídicas

  • Responsabilidade civil objetiva (CDC): fabricante responde por danos ao animal e prejuízos ao tutor

  • Responsabilidade administrativa: aplicação de multas, suspensão do registro e interdição cautelar

  • Responsabilidade criminal: se comprovada conduta culposa ou dolosa, enquadramentos no Crime Ambiental (Lei 9.605/1998) e Código Penal são possíveis

  • Tutores podem buscar indemnização por danos (morais e materiais) e o abuso/maus-tratos graves pode motivar denúncia às autoridades.


📝 6. Recomendações para tutores, produtores e clínicas veterinárias

  • Suspender o uso imediato de ração da Nutratta

  • Notificar MAPA e órgãos estaduais com números de lote e início do uso

  • Buscar avaliação clínica e laboratorial para equinos que consumiram a ração

  • Adotar uma nova fonte de ração registrada com testagem prévia

  • Exigir comprovantes de testes de qualidade dos fabricantes


📌 7. Conclusão

O caso representa uma falha grave no controle sanitário da cadeia de alimentação animal. Demonstrou que mesmo em doses mínimas, a ingestão de substâncias proibidas pode causar danos irreversíveis e mortes em massa.

A legislação paulista e federal é clara: não é permitida qualquer presença de alcaloides pirrolizidínicos em rações. Para evitar novos incidentes, fabricantes devem aprimorar autocontrole e rastreabilidade, e o MAPA deve aumentar a fiscalização preventiva.



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